
Frente ao nosso atual cenário político, cada vez mais recheado de escândalos e supostos casos envolvendo corrupção e abuso de poder nas mais diversas esferas, frequentemente somos bombardeados com expressões do tipo: “Sou brasileiro e não desisto do Brasil!” E é nesse ponto que cabe-nos uma reflexão: o que é ser brasileiro? Quem é brasileiro? O que nos faz brasileiros?
Realizando um exercício simples, uma pequena volta pela nossa própria cidade, por exemplo, poderemos observar que nós, povo, somos etnicamente diferentes. Somos negros, brancos e pardos; somos índios, europeus e asiáticos; somos altos, médios e baixos; somos homens, mulheres e crianças. Afinal, o que nos une?
A formação da matriz do povo brasileiro é discutida e desenvolvida pelo antropólogo Darcy Ribeiro em sua obra “O Povo Brasileiro” (1995). Nela ele nos apresentada a formação da identidade brasileira como resultado da mistura de três grandes raízes: a indígena, a europeia e a africana.
O músico e compositor Gonzaguinha, numa entrevista cedida ao programa VOX Populi, em 1982 na TV Cultura, também faz alusão a uma ideia que se relaciona, num certo sentido, ao apontado por Darcy Ribeiro, dizendo que “cada pessoa é muitas pessoas (SIC). São muitos corações que estão ali dentro, compondo”.
Trocando em miúdos, e tomando como referência as falas do documentário O povo brasileiro, uma recriação áudio visual da obra escrita de Darcy Ribeiro, podemos dizer que somos brasileiros por sermos fruto dos índios, africanos e portugueses, e por vez, também somos árabes por ter em nossa raiz a influência portuguesa.
Ser brasileiro é ser essa pluralidade que compõe nossos costumes, crenças, hábitos e, enfim, nossa cultura. Ser brasileiro é ser muitas pessoas, muitos povos, muitas cozinhas, muitos dialetos.







