Pode soar curioso pensarmos uma estética no futebol. Porém, calma ! Aqui vale um apontamento.
Diferente do que o senso comum nos entrega, a estética não é somente um ramo de atividade profissional voltado à beleza e aos cuidados com o corpo. Ela também é uma área da filosofia que, de maneira geral, trata de discutir a concepção do belo na obra de arte. Dessa maneira, o que vamos discutir aqui diz respeito ao fazer poético no jogo de futebol, e não a famigerada metrossexualidade de alguns jogadores.
O fato que irei narrar apresenta-se como um conto popular protagonizado pelo saudoso Mané Garrincha. O evento carece de referências para sua verificação, porém a estorinha já vale por si como um jeito de se repensar o esporte para além da competição.
Dizem que, durante uma partida muito acirrada, Mané Garrincha fazia a torcida vibrar ao tomar a posse de bola, porém toda vez que ele chegava na boca do gol ele não finalizava, não chutava.
O fato repetiu-se por algumas vezes. O jogador dominava a bola, driblava seus adversários e quando estava cara à cara com o goleiro não chutava. O fato começou a ficar estranho.
Ao final do jogo, quando foi questionado pela imprensa sobre o que teria acontecido, o jogador não teria exitado em responder: não completei porque ele não abria as pernas.
Um gol ganharia a partida, porém seria só mais um gol.
Um gol com identidade, pelas canas (como dizem nas peladas de bairro), ganharia não só a partida, mas potencializaria o resultado final. Percebe a diferença?








