Sartre escreveu: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com o que fizeram com você.”
Não sei o que fizeram ao Sartre. Mas a mim, importa o que me fizeram. Tornamo-nos os adultos com as vivências cultivadas na primeira infância. De lá carregamos nosso intelecto, nossos sentimentos felizes ou traumáticos que dirigem nossas ações quando “gente grande”.
Enquanto a aventura do autoconhecimento não for possível, o que fizeram com a gente materializa-se em experiências de vida e ideias muitas vezes sem sentido e conexão com a realidade. Até esse momento, diferentemente do que apontava Sartre, o que fizeram conosco pode importar sim, na medida em que há a probabilidade de trazer traumas, desejos reprimidos e, consequentemente, distúrbios psíquicos de personalidade e comportamentais.
Caso a aventura de autoconhecimento não tarde, é possível transformar aquilo que fizeram conosco mediante a elaboração de sentimentos. Transcender o nosso passado opressor e traumático é uma tarefa árdua que requer discernimento e disciplina. Entretanto, nem todos temos consciência e possibilidades concretas para a execução desse exercício socioemocional.
Diante disso, carregamos traumas e opressões de nossas histórias ao longo de toda a estrada da vida. Assim, vivemos conforme o absurdo da existência descrito por Albert Camus no Mito de Sísifo: repetimos eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo, mas toda vez que o alcançamos a pedra rola montanha abaixo.
Até descobrirmos porque temos o comportamento x ou y a fim de resolver o ser problemático que, por vezes nos tornamos, o que fizeram conosco habita nosso íntimo consciente ou inconscientemente. E rege quem somos. Ou não?








