“Palpite, Grafitti é o limite”: árvores que contam e carregam histórias

Paulo Leminski apontava que o grafitti seria toda a interferência escrita-desenhada no espaço visual da cidade; seria o ato de utilizar-se da paisagem como suporte expressivo para sua necessidade de ser e estar.

Nessa concepção o grafitti não estaria limitado àquela arte rebuscada, repleta de técnica de luz e sombra, desenhada nos muros, mas, também englobaria o pixo;

Nessa perspectiva, pensando bem, por quê não englobar, também, os rabiscos presentes nas árvores?

Em 2015 fui influenciado por essa ideia e comecei a investigar as confissões presentes nas árvores da cidade de Andirá. Um local bastante efervescente desse tipo de prática é a praça Sant’Anna, pracinha do centro da cidade.

Lá existem muitas e muitas árvores. O local, por si só, remete um tempo onde o romantismo aflorava na pele dos jovens da cidade. Lá muitos casais se conheceram, namoraram e, na igreja logo ao lado, se casaram.

Numa árvore, especificamente, existiam milhares de relatos apaixonados de casais da década de 80 e 90.

Eram nomes envoltos em corações que foram, literalmente, selados pelo tempo e testemunhados pela comunidade.

Apesar de uma prática que agride a natureza, esteticamente considero como uma ação de muita identidade regional. Tais testemunhos compõe parte da história de nossas pessoas, da nossa comunidade e das nossas relações. Assim como o grafitti urbano é efêmero, o litografitti (como batizei essa prática) também é. Muitas dessas árvores foram condenadas pelo tempo e tiveram que ser removidas.

Ao caminhar pela cidade observe suas árvores, elas são testemunhas de histórias, de épocas e de jeitos típicos de cada comunidade.

 

Antigas árvores do centro da cidade de Andirá
Praça Sant’Anna de Andirá

 

Este texto é resultado de um trabalho voluntário, e é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha programática e ideológica do Portal Carta do Mar e seus administradores..

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