Em um mundo de faz de conta, a romantização da violência é inaceitável. Inadmissível.
Quando o universo nos coloca em uma situação traumática, seja por lições ou testes, somos convidados à reflexão, no processo de cura.
Qual é o momento exato que o abraço se transforma em empurrão?
E o beijo em decepção?
E a presença em bofetão?
Durante a transição do amor, qual momento exato que ele se transmuta em dor?
Ninguém se apaixona por quem lhe traz comiseração. É necessária, antes de tudo, a sedução.
Em qual momento da contagem do tempo, a mão solta e o tapa vem?
Quando nos perdemos? Qual exato momento?
Ninguém agride por amor. Faz de conta que é.
Ninguém grita por amor. Faz de conta que ama.
Ninguém rebaixa o outro por amor. Faz de conta que não é pra se sentir superior.
O opressor, pode até ter o benefício da dúvida em ter sido o oprimido um dia. Mas, o opressor é alguém doente precisando de tratamento. Sempre.
O oprimido também!
Não romantize a violência. Não em nada de amor nela. Apenas comiseração.
Pare de fazer de conta que não dói.
Pare de fazer de conta que não destrói.
Deveríamos fazer escolhas onde o risco é menor.
Então, por qual motivo optamos em ficar presos, se a gaiola está aberta?
Porque saudáveis fazemos escolhas conscientes. Doentes, ficamos no único lugar que imaginamos ser o nosso. Aceitamos o que, inconscientemente, imaginamos que merecemos. Onde o outro nos colocou e nós nos esquecemos.
E fingimos não ver. Porque enxergar também dói.
Simoni Rodrigues







