
A seleção brasileira não é ruim como muitos afirmam e insistem, apenas não consegue, na maioria das vezes, fazer valer a qualidade técnica de seus jogadores. O nosso maior problema é psicológico. Nossos jogadores, em sua maioria, são o elo emocional fraco de seus times, muitas vezes também o diferencial técnico no aspecto positivo. O futebol é simples e complicado como a vida, está muito relacionado à empolgação, à crença, à vontade, ao apoio da torcida, ao incentivo do treinador. Claro que há de haver uma boa preparação física, qualidade técnica e organização tática, mas é o imponderável que muitas vezes faz a diferença e aí reside a magia do esporte mais popular e democrático do planeta. É o drible que desarruma a defesa, o chute inesperado, a tabela e os passes refinados. É preciso ter coragem para chegar ao gol, para muitos jogadores ele é pequeno demais, assim como o goleiro se torna um gigante. Explode a bomba quando poderia simplesmente encaminhar a bola para o espaço livre. O recente jogo entre Brasil e Equador pelas eliminatórias da Copa do Mundo foi bastante atípico, picotado, mas se pode perceber a falta que faz um jogador central que pense o jogo, que coloque a bola no chão e faça o time respirar.
Foi uma pena Coutinho ter de sair tão cedo, talvez fosse melhor mantê-lo e retirar Mateus Cunha para recompor a lateral, ou mesmo abrir mão de um dos volantes para ousar vencer. Aliás, temos uma dupla de volantes bastante confiável e sólida, uma das melhores dos últimos tempos, com Fred e Casemiro, mas que em determinadas partidas pode significar jogar com o freio de mão puxado. O talento de Neymar ainda faz falta, porque a confiança da Seleção parece aumentar com ele em campo, rendendo melhor os outros jogadores em sua companhia. Gostei da camisa azul utilizada. Do meio para a frente sobram talentos, fica até difícil encaixar todos, jogadores rápidos e habilidosos que podem fazer a diferença se estiverem confiantes e não sentirem o imenso peso que todos nós colocamos sobre eles. Raphinha não foi bem, nem Vinícius Júnior, talvez diante das circunstâncias peculiares e exóticas da partida após as expulsões e quase expulsões, o jogo não fluiu, foi desgastante e cansativo para quem assistia, imagine para quem estava lá dentro.
Talvez Rodrygo pudesse ter entrado, parece-me que ele costuma ter uma frieza que falta a maioria dos nossos jogadores talentosos, por vezes isso é bom, por vezes ruim, na partida em questão poderia ter sido muito bom. O problema é quem entra e acredita que precisa mostrar tudo em pouco tempo, resolver. A afobação de Gabriel Jesus não representa o bom jogador que é quando entra em um time encaixado e organizado como acontece no seu clube, tranquilo para desempenhar seu futebol. Temos uma equipe forte e competitiva, carente de definição de jogadores titulares em 2 ou 3 posições, mas o que falta desde o 7 a 1 e antes é confiança, solidez, entendimento da maneira que a equipe pode jogar, entrosamento. Falta-nos Ganso, Oscar, o próprio Coutinho, jogadores dessa geração que não chegaram até onde poderiam ir. Gosto de Paquetá, mas está mais para um quase atacante que um meia articulador, o próprio Coutinho e Oscar não tem essa característica de passes para gol e cadencia de jogo. Neymar soltando a bola tem condições de armar, mas é um desperdício afastar do gol quem até pouco tempo era o nosso maior goleador nas partidas. Me preocupa a defesa, embora tenhamos grandes zagueiros, costumam falhar em algumas situações simples, diante da pressão. Alisson, grande goleiro que é, esteve bastante afoito e inseguro no último jogo. Acredito que o goleiro deve ser o jogador mais frio do time, passar confiança, assim como a zaga. Marquinhos, para mim, é o melhor zagueiro que temos. Militão me lembra Lúcio, é bastante colaborativo, se doa, mas em alguns momentos parece muito emocionalmente envolvido na partida, geralmente isso é bom, mas desafia a regularidade, porque pode estar muito bem e com um erro perder a confiança, ou estar mal e recuperá-la numa sequência de acertos. Torço muito pelo Brasil, porque de certo modo replica quem somos enquanto nação, talentosos, pujantes, apaixonados, mas inseguros, criticados, sempre tendo de superar dificuldades que muitas vezes são mais internas, psicológicas, do que externas e práticas. Tite é um excelente técnico, apegado a princípios, mas disposto a revê-los, não se recusa a aprender. Penso que talvez precise de algum modo, como dizem, “pensar fora da caixa”, passar confiança aos jogadores e dar a eles certa liberdade para certa anarquia em campo, porque somos ou fomos, num passado recente, uma escola de futebol capaz de ser vitoriosa não apenas pela organização, mas pela criatividade e talento de nossos jogadores. É difícil jogar bem, dar espetáculo e vencer. Já demos espetáculo e não vencemos. É uma equação difícil no futebol moderno de seleções ser efetivo e brilhante.
Talvez Tite busque isso. Tenta, mas muitas vezes os jogadores não correspondem. Fez isso no último jogo escalando a seleção do jeito que o povo quer, pena que a partida não permitiu ver essa ideia ser executada. Talvez o HEXA venha, se até lá nos unirmos enquanto nação, passarmos não só a cobrança, mas a confiança que temos na nossa maneira de jogar futebol, alegre, para a frente, assim como Antony, Vinícius Júnior, Raphinha e Neymar nos mostram em seus melhores momentos. Penso em se abdicar da figura do centroavante enfiado entre os zagueiros, geralmente isso nos faz ter 1 jogador a menos, não estamos encaixando essa característica desde Fred, por melhor que seja o centroavante, por mais matador que seja. Não encaixa isso na nossa seleção. Pode até ter esse jogador para colocar, mas na prática penso que seja interessante encontrar uma forma de jogar sem essa figura fixa. Penso que o Gabriel Barbosa ou o Pedro seriam as melhores opções, nesse caso. Não temos mais Cafu e Roberto Carlos, nem Marcelo, Daniel Alves pode não chegar. Deixemos então Alex Sandro e Danilo com funções preponderantemente defensivas e formemos um ataque leve e de movimentação com 3 ou 4 jogadores, formando um triangulo ou um quadrado, com Neymar mais avançado, perto do gol. Nossos atletas querem vencer, querem ser campeões, se esforçam para isso, mas ainda falta confiança, quem sabe isso não vá crescendo a cada jogo na copa. Podemos começar com: Éderson, Weverton ou Alisson, Marquinhos e mais um, Danilo e Alex Sandro, Fred e Casemiro, o meia (Coutinho, Paqueta ou outro), Raphinha e Vinícius Júnior, Neymar. Um 4,2,3,1 atacando ou 4,5,1, defendendo, como queiram. Não sou especialista, mas como dizem que todo Brasileiro é um pouco técnico da seleção, fica o meu palpite, Tite.
Danilo Fernando de Oliveira
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