
http://blogdamarion.blogspot.com/2013/12/a-obrigacao-de-ser-feliz.html
“Maldita” felicidade quem foi lhe dar status de necessária? Por que a colocaram tão longe? Por que a esconderam tão bem que ninguém encontra? Maldita felicidade desses comerciais industriais, propagandas de cervejas e refrigerantes, automóveis etc. Maldita falta de satisfação, de contentamento, de prazer.
“Maldita” felicidade, não sei se verdadeira, que vejo nos rostos maquiados, olhares embriagados e sorrisos escancarados das fotos postadas em facebooks e instagrams. Nossa, como as pessoas são felizes, como se divertem e fazem questão de divulgar a felicidade que tantos buscam e não encontram. Mas sei lá porque não me sinto feliz nos mesmos lugares, fazendo as mesmas coisas e bebendo as mesmas bebidas.
Bendita fase da infância em que a felicidade era correr despreocupado sendo feliz sem perceber. Quando sorrir era permitido e errar também. Bendito tempo em que acreditar nas pessoas era possível e que as mentiras se referiam apenas às travessuras que se procurava esconder. Felicidade havia em toda tarde, jogando futebol descalço na rua, curtindo brincadeiras infantis ao anoitecer. Tudo era tão simples. Havia tão pouco, coisas que hoje não me impressionam ou atraem me faziam experimentar uma felicidade que hoje em dia pouquíssimas coisas proporcionam.
Ainda assim, quando criança, eu já era adulto e pensava demais em tudo. Hoje o que mudou? Nada! Ainda não tenho resposta nenhuma, a única coisa que sei é que a tristeza é maior, o sofrimento também, as frustrações mais sentidas e entre vitórias e derrotas os dias passam.
Felicidade! Felicidade, felicidade, que palavra batida que nos escraviza. Todos dizem: eu só quero ser feliz! Será que já não são? Queremos mais o quê? Eu sei que queremos sempre mais! Se felicidade for não querer mais nada, então nunca ninguém será feliz. Infelizmente.
Não, não vou falar de amor. Mesmo querendo falar disso. No amor é possível encontrar a alegria, paz momentânea, mas nada duradouro: é fogo na palha, se esvai rapidamente, apesar da intensidade. Fica apenas o desejo de que a chama se reacenda e se mantenha. Com o tempo, vive-se apenas do sonho de ter de volta o que passou.
E tudo, como destaca a Bíblia, no fim, é vaidade. E como somos vaidosos. Nos valemos de artifícios vazios para termos momentos de uma felicidade falsa que não convence nem a nós mesmos. Mas afinal, o que é real? Vai saber. Se a nossa vida for um Avatar? Estamos dormindo em outro lugar com nossos corpos aqui dispostos realizando tarefas, vivendo e sentindo coisas que podem ser apenas ilusões. Em algum momento podemos acordar. Esse penso, logo existo, não me convence. Posso apenas pensar que penso que existo, mas nem existo. Posso ser um robô programado para aprender e viver e desligar com o tempo.
Queria bater um papo com o Programador. Queria só algumas certezas. Fazer um ou dois pedidos, mas principalmente agradecer por tudo que tem me proporcionado, pois vendo como há pessoas que sofrem nesse mundo, meu sofrimento é fichinha, quase nada e, além disso, sou quase feliz, já que mesmo querendo algumas coisas o que tenho já me basta para sorrir às vezes.
Felicidade a qualquer custo? Sei lá. Tenho um sério problema de consciência que sei lá de onde vem. Há dias em que parece uma dádiva e em outros uma maldição. Nesse ponto não entendo a intenção do Programador.
Seja bendita felicidade. Que eu possa te encontrar num sorriso, num beijo, num abraço. Num instante de um papo vazio ou cheio com os amigos. Numa festa, ouvindo uma música. Que a procura, ou a busca pela felicidade não me escravize. Ah, felicidade, não me decepcione, seja do jeito que eu sonhei, perfeita, com todos os defeitos que tiver.
Em uma madrugada de maio de 2011.







