
IMAGEM EXTRAÍDA DE: https://nova-acropole.org.br/blog-saiba-mais/podcast/podcast-o-mito-da-caverna-de-platao-e-sua-relacao-com-o-mundo-atual/
Sinto que estão à beira de um precipício e se movem com firmeza no sentido de dar o próximo passo. Não faça, tem significado faça. Qualquer mentira os convence e nenhuma verdade os contenta. É uma fé insana, uma covardia de coragem temerária. A regra é ignorar, ignorar tudo aquilo que não se amolde ao mundo pensado, que não se baseia em algo concreto, mas na negação do que existe. Destruam tudo, porque nada presta! Essa é a ordem.
Palavras não convencem, a realidade não importa, pensar é proibido, basta repetir a mentira vinda não se sabe de onde, nem a partir de quem, até o momento em que seja aceita como verdade absoluta, eterna e imutável. O mundo está posto, a luz disponível, mas isso assusta e preferem a caverna, as trevas. O mito da caverna de Platão, desde que me entendo como ser pensante, nunca foi tão real no meu cotidiano.
Para os que não conhecem o “mito” da caverna vou tentar resumir: pessoas aprisionadas numa caverna escura vivem a contemplar uma parede. Para eles essa parede é o mundo, tudo que importa é o que acontece nessa parede. Ali observam as sombras vindas de fora da caverna pelas frestas de luz. Certo dia um desses homens escapa da caverna e o espetáculo de luz e cores que contempla o deixa assombrado, existe mundo para além das sombras projetadas na parede da caverna. Retorna eufórico a convidar os demais para conhecer a realidade além da caverna, mas é tomado como louco e morto pelos demais. Preferem as sombras e a limitação, o conhecido, o seguro, a ausência de luz.
Isso não difere do vivido agora, mas na caverna coletiva cada um tem sua parede individual em que são reproduzidas as distorcidas sombras da realidade, essas paredes são as telas de celulares e computadores. O mundo virtual é a nova caverna que nos aprisiona, inundando nossos olhos de uma luz que não reflete a realidade, mas nos faz tão dependentes que preferimos ela à vida. Se sombras encantavam e cegavam de modo tão eficaz como no mito, o que não fazem as falsas luzes de uma virtualidade que maquia o real e o torna ainda mais atraente?
Temo as consequências desse laboratório que desumaniza o humano e passa a controlá-lo para os fins de consumo e guerra ao outro, porque na lógica posta apenas o eu e o igual importam. A tecnologia que poderia nos libertar tornou-se uma prisão aparentemente agradável, mas que está trazendo à tona, para emergir na superfície, o que há de pior em cada ser humano. Aqueles que ousarem tentar superar as sombras iluminadas para ir além delas na relação com a realidade terão o mesmo destino que o personagem do mito? Espero que não.







