
De fato, a esquerda historicamente levantou bandeiras de bem comum, direitos sociais que atinjam a todos, indiscriminadamente, mas não há como dizer que ela seja contra a autonomia do indivíduo e sua liberdade, porque o bem comum depende da liberdade e autonomia das pessoas, quando acessam direitos e têm oportunidades elas podem ter verdadeira autonomia e buscar serem livres em todos os aspectos.
Há exemplos de governos que na busca do bem comum suprimiram liberdades individuais, talvez aí resida o preconceito. Em países como o nosso, a esquerda parece defender direitos sociais e observar os limites constitucionais do jogo democrático, na maioria das vezes.
A direita, historicamente, preza sim pela liberdade do indivíduo, quando se trata de direita liberal, ou seja, aquela que defende a liberdade econômica e individual, a autonomia, o capitalismo como sistema apto a levar ao desenvolvimento daqueles que se esforçam ou jogam melhor o jogo da economia. Essa direita não interfere na vida privada das pessoas de forma direta e não pauta costumes etc., não de maneira autoritária, embora faça reproduzir os ideais capitalistas.
Por outro lado, a direita também parece querer conservar o que já existe, a segurança do que já se conhece, sendo contrária a mudanças abruptas. Pensa sempre em reformas, nunca em revoluções. No Brasil está tudo muito confuso nesse campo, radical na defesa de algumas soluções autoritárias e defesa de direitos individuais que excedem o exercício regular de direitos. Quer colocar ordem a qualquer custo, mas uma ordem imposta e não debatida amplamente, essa é apenas a minha percepção, há outras e posso estar errado.
Atualmente está tudo muito nebuloso, talvez nunca foi claro, porque o assunto é complexo e os rótulos são complicados. Estudem, pesquisem e cheguem às suas próprias conclusões, a minha percepção é só mais uma entre muitas.
Hoje há a esquerda que é “capitalista” e a direita que é contra a autonomia e a liberdade individual. A direita parece, em alguns casos, adotar um caráter reacionário que remete à idade média quando se caçavam bruxas e quem não concordava com a ideia imposta pela autoridade; já a esquerda, em alguns casos, parece querer abandonar suas pautas sociais e se render ao capitalismo que visa o lucro acima da vida das pessoas ou, ainda, em raríssimos casos, provocar revolta popular e revolução para construção de uma nova vivência fora da perspectiva capitalista, por vezes pelo caminho autoritário e antidemocrático (vivemos em uma democracia material?).
É muito complexo e delicado discutir esses temas, sobretudo num ambiente polarizado. O importante é ser sóbrio e não apaixonado, não delirante, ser realista e sonhador, perceber que há em partes de cada espectro coisas com as quais concordamos e outras com as quais discordamos, ou apenas discordamos mesmo (precisamos descobrir se é porque realmente pensamos ou fomos induzidos a isso) e construir nossa própria posição que pode se tornar um caminho, seja para a esquerda seja para a direita.
O importante é respeitar a democracia e a liberdade, o convívio social, fugir da tirania e da arbitrariedade, porque nesses sistemas sempre alguém perde muito e pode ser você, se não de imediato, no futuro, porque a voz autoritária que emerge, de um lado ou de outro, vai querer calar as outras que podem ter razão em suas reclamações.
Proteger os menos favorecidos não parece ser uma ideia que agrade os individualistas, mas, também, se cada um protege a si mesmo, pode se realizar isso, o problema é que a sociedade é muito desigual e as pessoas não tem as mesmas oportunidades.
Superadas a desigualdade e as contradições, é possível num ambiente de iguais oportunidades que se fale em meritocracia e merecimento, em culpa de cada um pela própria condição. Não é aconselhável apenas se lamentar e culpar os outros, mas também não é honesto sustentar que todos podem a mesma coisa e possuem as mesmas condições.
O governo, o Estado, penso, deveria se preocupar em garantir que o jogo seja jogado de maneira equilibrada.
Podem chegar a outras conclusões. O que pensam a respeito? O pensar é livre e vocês podem e devem ter suas próprias opiniões e perspectivas, porque no diálogo as ideias se aprimoram e os problemas reais podem ser resolvidos.







