Auto-descrição filosófica

arte do texto de auto descrição filosófica do Jean

Sou só o Jean. Sou uma espécie de sopro de teclas e nanquim derramado sobre páginas brancas ou monitores aquecidos. Um pouco de tudo… Na verdade sou músico, escritor, filósofo, boêmio, dentista por profissão e “artista do sorriso” em todas as formas da expressão, amo minhas profissões… É isso!… Estive pensando que “Ser” artista independe de fazer arte, ser artista é uma vocação dos sentidos, uma inclinação à contemplação da beleza. Artista não é menos artista se nunca tiver composto uma melodia. A primeira obra de arte do artista é a sua vida e seus pensamentos.

Amo a natureza e apenas quero fazer o bem – ainda acredito que ele seja maioria – sem se importar com conceitos ou doutrinas, mas não me façam mal porque no estágio que estou ainda não aprendi a dar a outra face. Para mim Deus é uma entidade muito além de nossa imaginação, e não um homem velhinho com barba branca, porém é bem mais acessível do que pensamos. Penso que sou apenas ligações químicas que deram certo, energia pura que no momento tem cara de gente.

Já levei muitos tombos da vida, aprendi, cai, aprendi ainda mais, assim traço minha evolução… Espero muito pouco da vida, prefiro rever nos becos antigos, meus companheiros de copo, meus verdadeiros amigos… Odeio a falsidade e a hipocrisia, de esperança falo muito pouco, mas sou um persistente em tudo e para mim a esperança é o lado irracional da vontade, a face quase louca da razão… Bom, mas nunca fui um cara normal, também pudera, nunca tive vocação para alegria tímida ou respostas mal resolvidas, prefiro da vida o que ela tem de cru e belo afinal estou aqui de passagem e não para que gostem de mim. É preferível gostar de cada detalhe que eu mesmo tenho a manter o gosto pelo que não me acrescenta nada.

Tenho uma boa relação com o pensamento e a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra, em muitos momentos costumo escrever para ser feliz, mas se estiver feliz sem precisar escrever, vou escrever pra quê? Às vezes me dou conta disso, daí chuto o balde, afinal o essencial de mim já não me pertence, estou por toda a parte, verso ali, prosa aqui, crônica, deboche, canção… Afinal sou humano no estado-da-arte, obra inacabada como a tela do pintor, mas sou autenticidade, personalidade e caráter em qualquer substrato. Eu tenho medo de altura, mas não evito meus abismos porque são eles que me dão a dimensão de quem sou, assim vou rabiscando um diário, me rascunhando no mundo…E dia a dia, componho minha obra-prima: minha vida… E como falava um amigo que partiu: “do resto muito pouco sei”.

 

Este texto é resultado de um trabalho voluntário, e é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha programática e ideológica do Portal Carta do Mar e seus administradores..

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