
Existe um mito que corre entre os boatos populares que o culpado pelo mau hálito é o estômago. Segundo a Associação Brasileira de Halitose (ABHA), apenas 1% das causas do mau hálito vem de problemas estomacais. Entre as exceções estão o arroto ou refluxo associado à hérnia de hiato.
O pesquisador canadense, Joseph Tonzetich, estudou a halitose e comprovou que o hálito não vem do estômago para a boca. A presidente da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca, Ana Kolbe, conta que o pesquisador fez uma pasta de alho, colocou no pé do paciente e, após alguns minutos, ele estava eliminando odor de alho pela boca. Com isso ele provou que o odor vem para o hálito pelo sangue e escapa pelo pulmão sem ao menos passar pelo estômago.
O mau hálito foi associado por muito tempo ao estômago já que, ao comer, as pessoas percebiam que a halitose melhorava. Na verdade, isso ocorre por dois motivos. Primeiro, ao ingerir alimentos, o corpo equilibra a glicemia e elimina o hálito cetônico. Em segundo lugar, o sistema nervoso central envia uma mensagem para que as glândulas salivares aumentem a produção de saliva. Isso faz com que a saburra, já existente e que está eliminando o enxofre seja fluidificada. A saburra lingual é uma placa bacteriana esbranquiçada que se forma sobre a língua, na parte de trás.
Outro ponto é que, durante a mastigação, o atrito do bolo alimentar sobre a língua promove uma troca da saburra já existente, que está fermentada e eliminando enxofre. Assim, a saburra nova leva aproximadamente uma hora para fermentar e iniciar a liberação de enxofre novamente.
O corpo humano é preparado para garantir que os alimentos fiquem no estômago. Um anel muscular chamado “esfíncter esofágico” separa o esôfago do estômago e é aberto quando engolimos para permitir a entrada dos alimentos. Durante o resto do tempo, o esfíncter mantém-se contraído para evitar que os alimentos e o ácido do estômago recuem para o esôfago.
Atualmente estima-se que, dependendo da região e idade das pessoas, cerca de 30% da população tenha MAU HÁLITO. Além de alterar o odor da boca, a HALITOSE provoca alterações psicológicas e comportamentais, piorando consideravelmente a qualidade de vida social dos pacientes.
Pode ser provocado por mais de 80 causas diferentes, sendo necessário um correto diagnóstico para que o tratamento tenha resultado. Dependendo da causa, pode vir acompanhado de sintomas como BOCA SECA, GOSTO RUIM NA BOCA (boca amarga) e SENSAÇÃO DE QUE A BOCA NÃO FICA LIMPA.
COMO PREVENIR O MAU HÁLITO?
Algumas ações podem ser úteis e te ajudar a evitar a halitose:
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Tome dois litros d’água por dia. A água é o ingrediente fundamental da saliva, fluido que promove auto limpeza, equilíbrio e imunidade à nossa boca.
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Limpe sua língua 3 vezes por dia, usando um limpador de língua após as escovações. A Saburra lingual excessiva é uma causa muito comum de halitose.
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Evite ficar muito tempo sem se alimentar. Quando estamos com fome, começamos a “queimar gordura e músculos”. E esse processo gera um mau cheiro que sai pelos pulmões. Nossa saliva também perde qualidade quando ficamos muito tempo sem comer.
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Evite alimentos que tenham odor muito forte. O odor de tudo que ingerimos (comida, remédios, fumo, bebida alcoólica) pode ser expelido através do nosso hálito.
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Visite seu dentista a cada 6 meses, para verificar a saúde da sua gengiva (a inflamação das gengivas – gengivite é uma causa muito comum de halitose)
COMO SABER SE TENHO MAU HÁLITO?
Existem exames que podem avaliar a qualidade do hálito. São chamados de “halitometrias” ou “halimetrias”. Os especialistas em hálito usam estes exames no dia a dia, para ajudar a conseguir um diagnóstico e acompanhar o resultado do tratamento da halitose. Por outro lado, uma das melhores maneiras de saber como está o nosso hálito é através da convivência com as pessoas. Sabe-se que cerca de 90% dos portadores de halitose real têm queixas diretas, ou seja, alguém muito próximo (geralmente um familiar), acaba reclamando do hálito ou mesmo alertando sobre o problema. Por isso os especialistas recomendam que, caso você tenha dúvida em relação à condição do seu hálito, pergunte a pessoas íntimas se eles perceberam algo errado.
SINTOMAS: O QUE SENTE O PORTADOR DE HALITOSE?
As sensações percebidas por quem tem mau hálito variam de acordo com a causa. Quando a halitose é crônica, ou seja, ocorre já faz um tempo razoável, é muito comum o paciente sentir pelo menos um dos desconfortos abaixo:
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Gosto ruim na boca. A pessoa sente a boca amarga, ou outro gosto ruim, sem ter comido nada com esse sabor. O gosto também pode ser podre, azedo, metálico, salgado ou gosto de sangue, em alguns casos.
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Sensação de que a boca não fica limpa. Pouco tempo após escovar os dentes, a pessoa tem a sensação de que a boca não está limpa, como se não tivesse escovado. Tem vontade de escovar os dentes novamente, mesmo que não tenha comido nada, pois a escovação dá um certo conforto, que dura pouco tempo.
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Boca seca. Mesmo que a pessoa se hidrate bem, tomando bastante água ao longo do dia, a secura bucal incomoda. E isso geralmente ocorre por conta da má salivação, uma das causas mais frequentes de halitose crônica.
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Excesso de saburra lingual: o portador nota que sua língua está muito mais amarelada ou esbranquiçada do que antes. E, por mais que limpe, não resolve.
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Formação e eliminação de cáseos. Os “CÁSEOS AMIGDALIANOS” são um material (umas bolinhas) com muito mal cheiro que pode se acumular na garganta, nas amídalas. Tem cheiro muito forte e desagradável. São engolidos ou mesmo saem através da boca, gerando um desconforto muito grande.
Fique atento, o mau hálito afeta diretamente suas relações sociais. E o melhor de tudo: Tem tratamento!







