Não sei porque ainda as tenho, não sei porque ainda as visito, não sei porque ainda me manifesto quando me deparo com algum absurdo e tento dialogar nas redes sociais.
A minha vontade maior era deletá-las, porque não me trazem nenhum bem além de uma distração insossa com alguma notícia que sempre preciso verificar a veracidade, diante da avalanche de mentiras. A curiosidade não permite essa saída, porque há sempre a esperança de alguma boa notícia, a felicidade pelo sucesso de algum conhecido, o contato com algum familiar distante etc.
Os classificados são interessantes, mas é tudo muito caro, mesmo sendo usado e não tenho tido muito dinheiro para novas aquisições. Talvez não seja tão caro, mas como tudo anda inflacionado e os ganhos não acompanham, devo estar como a maioria dos brasileiros hoje, focando no essencial.
A redes me fazem sentir cansaço, por menor que seja o tempo em que eu as visite, porque é tanta gente compartilhando besteiras, algumas divertidas, inofensivas, que cumprem o papel de distrair e divertir em parte, quanto a isso, ótimo, vá lá, mas a asneira política é tão grande e incômoda que parece tortura, enche o saco e eu não consigo não sentir.
Já fiz várias ‘limpas’, apagando familiares e amigos antigos para não ter o desprazer de esbarrar com publicações que me incomodam. Talvez eu tenha me tornado chato demais com a idade, pouco paciente e compreensivo.
Não é não ser democrático, não é ser intolerante, é cuidar da própria paz de espírito, se algo faz mal, é melhor afastar quando não há como enfrentar e tirar algum proveito superando coisas como medos etc.
As pessoas andam tão cheias de certezas, bandeiras amarelas, imagens religiosas, brasões imperiais, palavras de ódio, conhecimento econômicos absolutos, explicações completas da realidade a partir de teorias conspiracionistas, teses e teorias anticientíficas tiradas do nariz de alguém que as joga na internet para fazer barulho e arregimentar fiéis. Haja paciência para tanta bobagem, para tanto delírio, tanta tolice.
É uma rotulação e generalização de quem não está enredado por dentro nesse teatro de horrores que causa alucinações e mania de perseguição nos devotos da seita que cria zumbis repetidores das mesmas falas, tanto que que eu escrevo, posto, penso, apago, reposto, apago de novo, não porque não tenha convicção quanto a minha opinião expressada, mas porque não terá fim, a pessoa vai vomitar de volta um blá, blá, blá repetido o que desde 2018 e antes ocupa as redes com respostas, justificativas e explicações para tudo, não importa o que se diga, não há diálogo, não um diálogo adulto e civilizado, nos tornamos crianças birrentas dizendo que nosso brinquedo é melhor porque é nosso .
Há um bando de autointitulados liberais e conservadores mal formados acusando quem não compra a ideia deles de comunistas, petistas etc., sem qualquer critério, deformando a percepção e concepção de pessoas mal informadas com um universo de besteiras tão grande que é muito estranho que possam ser compradas como verdades.
E eu não aguento, sofro com isso, mas sinto que se me calar sempre essa gente vai ficar aí, vendendo como certo o que é um amontoado de besteira. Me preocupo em dar palco, porque não sei se foi responder que fez chegarmos onde estamos, talvez calar fosse a solução, mas essa dúvida perturba. Sinto muito se pareço arrogante nesse desabafo, queria poder dialogar, mas dialogar dentro de um campo concreto, não a partir de coisas sem base, sem contexto, sem realidade. Temos tantos problemas sérios, nosso país não vai bem, as pessoas estão morrendo, passando dificuldades e o debate não sai da mesma toada ditada pelos raivosos zumbis repetidores de bobagens que visam manter o poder na mão de quem não sabe usá-lo para fazer o bem a outra pessoa que não seja a si próprio e ao seu entorno. Continua…








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Parabéns pela coragem em ser participativo e pela perspicácia em expor suas ideias.