Uma águia em formação não passa de um ovo frágil. De casca tão fina quanto qualquer outro, mesmo que em ninhos colossais, nos mais altos dos cumes, ou mais longínquos dos precipícios. Tudo para que os pais tenham uma visão privilegiada de possível presas.
Mesmo assim, um ovo frágil. Apenas um ovo. Tão somente um frágil ovo.
Sujeito a intempéries.
Também tendo que ser protegido de predadores e, além disso, tendo que ser acolhido – e aquecido – pelo corpo da mãe para o amadurecimento necessário no período de incubação.
Para o nascimento, é preciso que o filhote esteja pronto dentro do ovo. Para a iniciação.
E quando isso acontecer, delicadamente ele quebrará as cascas que o prendia àquele mundo de dúvidas e – antagonicamente – o protegia deste mundo de incertezas e aprendizados.
Se é chegada a hora da maturação, era também chegada a quebra de crenças e paradigmas, ops, das cascas!
Mas, o filhote era obrigado a ter a sabedoria para sentir sua fortaleza, sua preparação…
Para então quebrar a casca e nunca mais voltar ao tamanho original. E agora, simplesmente, viver.
Eu disse “Simplesmente”?
Era chegada a hora de voar.
Ou melhor, alçar os mais altos voos. Os mergulhos mais rápidos e profundos a caça de uma presa.
E uma vida pra entender para olhar para o alto.
Uma vida inteira para entender que nasceu grande.
Imperial.
Uma águia!
E águias não voam com pardais.
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