O norte pioneiro possui muitas belezas naturais, porém devemos destacar que a região também é dotada daquela beleza criada pela mão humana. Algumas dessas belezas são bastante evidentes tais como a Catedral de Jacarezinho, o antigo hotel Yara em Bandeirantes e o Cine Teatro São Carlos em Andirá, por exemplo; por outro lado, existe aquela beleza mais velada, mais discreta, que é dada pela intencionalidade estética e fica ali, aguardando algum olhar mais curioso para que possa ser ponto de ruptura no olhar normal e cotidiano.
Em Londrina, por exemplo, ao transitar pelo centro comercial somos tomados pela beleza do calçadão e da Catedral Metropolitana. Somos embalados pela polifonia resultante das vozes de vendedores ambulantes, carros e transeuntes. Mesmo com tantos elementos perceptíveis o local ainda guarda uma poética quase oculta.
Primeiramente vamos apontar alguns dados geográficos. Podemos dizer que o centro religioso londrinense está localizado entre as avenidas São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse endereço estão situadas algumas instituições religiosas como a casa das freiras, o colégio Mãe de Deus, casas de capoeira, loça Macônica, etc. Se montarmos um quadrante com a Avenida Paraná e a Av. JK, numa ponta está situada a Catedral de Londrina e na outra o cemitério São Pedro.

Observe como existe todo um simbolismo na concepção dessas ruas. Ao topo, o círculo representa a cabeça de uma chave, com a Catedral ao meio; do outro lado, como se fosse a ponta de uma chave, está situado o cemitério São Pedro.
É interessante notar que dentro da tradição cristã São Pedro é o guardião da chave dos portões do céu. O cemitério não leva esse nome atoa. Tal forma também não é ao acaso. É uma sacada muito interessante, fruto da imaginação de homens que ousaram imaginar e conceber o espaço para além da utilidade, mas, também, para sua fruição estética.







