PALMEIRAS DA AVENIDA E A VIDA (11/02/2010)

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Acabaram, caíram, morreram os “coqueiros”; “coqueiros” que faceiros sempre vi lá na Goiás, até ontem, até horas atrás. Eles eram ameaças, ainda mais com tantos e constantes vendavais. Até nunca mais. Fará falta, pois são símbolos da história que, com certeza, nunca abandonará nossa memória.

Desde o dia em que eu soube saber que eu existia, que compreendi que havia e há um mundo ao meu redor, achei fantásticos os “coqueiros”. Imponentes, aparentemente indestrutíveis e de uma beleza difícil de dizer.

Quis e quero, algum dia, ser tão grandioso e forte quanto, provocar ao menos um pouco do fascínio, deslumbramento e encanto dos gigantes da Goiás, gigantes que já não verei mais, logo eu que não tinha laranjais na aurora de minha vida e via as palmeiras imperiais como imagens da minha infância querida que não volta mais.

O mundo vai mudando, as pessoas vão mudando, tudo, ou quase tudo, é substituído e vamos sendo vencidos e vencedores de nossos medos e de nossas coragens. Mudam as paisagens, os horizontes se estreitam e se ampliam. Hoje não sou criança, mas também não sou adulto e nem fui adolescente, sempre fui e sempre serei esse ser presente na ausência de si mesmo.

Pode soar ridícula essa prosa que verseja, mais veja, atente-se. A luz da vida brilha, acende e apaga, ilumina e fascina, domina e liberta, deflagra re-evoluções constantes, a cada instante.

Não choro pelas palmeiras, nem pela infância que passou e foi bem vivida. Choro algumas vezes, sem lágrimas mesmo, por amor às causas perdidas, às lembranças, às esperanças e às possibilidades. Confesso: a maior saudade que pode existir é a saudade do que não há para lembrar, do que não pôde existir, do que ainda não se alcançou, ou do que se perdeu sem se ganhar.

Este texto é resultado de um trabalho voluntário, e é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha programática e ideológica do Portal Carta do Mar e seus administradores..

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