Para amor moribundo? Eutanásia.

Ela chegou, fora de seu costume, às 3h da manhã!
Estacionou seu carro na garagem e já pode notar a luz fraca da TV na sala! Ele ainda estava acordado! Ela viera ensaindo seu discurso ao longo do caminho, e obstinadamente resolveria hoje aquela situação!
Quando ela abriu a porta, ele a estava olhando fixamente! E antes mesmo que ele dissesse qualquer coisa, ela se aconchegou ao seu lado no sofá e disse que precisavam conversar!
Ele a questionou onde estava até aquele horário!
Ela simplesmente respondeu: “decretando o fim do nosso casamento”!
Ela pode perceber que os olhos do homem que tanto amara na vida estavam marejados! Ele entendeu tudo! E, com a voz tremendo, questionou se era o que ela queria realmente! Que ambos poderiam dar um jeito de esquecer os percalços e seguir em frente! Ele sabia que alguns meses antes, foi ela quem sentiu o que o atingia no peito neste momento!
E ele ainda tentou argumentar: “e as crianças?”
Obstinadamente, ela respondeu: “elas vão superar! Só não conseguem mais aguentar seus pais sendo infelizes juntos!”.
E completou: “a partir de hoje, não somos mais casados”!
Ele abaixou a cabeça, não contendo o choro do arrependimento! Sabia que havia plantado essa decisão no coração nos últimos 7 anos. Ela o avisara.
Em uma última tentativa: “não há nada que eu possa fazer pra você reconsiderar?”.
Ela passou a mão no rosto dele e respondeu: “não. Apenas trate de ser o mais feliz que puder. É o que farei!
Naquela noite, ele dormiu com a filha mais velha!
Ela, com a sensação de que fez o que devia ter feito!
Assassinou, em um ato de misericórdia, um amor que havia cuidado, nutrido, acariciado, e que por falta de reciprocidade já andava moribundo há tempos! Eutanásia nele!

E eles seguiram mais do que felizes para sempre, seguiram em paz.

Este texto é resultado de um trabalho voluntário, e é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha programática e ideológica do Portal Carta do Mar e seus administradores..

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Crônicas, Literatura

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