e começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arremesso e aqui me meço quando se vive sob a espécie da viagem o que importa não é a viagem mas o começo da
Fragmento de Galáxias (1963) – Haroldo de Campos
São muitos os caminhos que trilhamos. Nesse movimento alguns buscam seu fim, sua chegada; nós buscamos apenas as suas paisagens e o que elas nos proporcionam.
Construímos, destruímos, reinventamos a vida, as amizades, os jeitos, as coisas. Dessas ações nascem modos próprios de nos colocarmos no tempo e no espaço; nasce, assim, a nossa cultura.
Ela é inevitável, onde há vida humana, haverá cultura. A apropriação antropológica da ideia de cultura nos ajuda a compreender que ela é resultado daquilo tudo que o homem produz.
Em Andirá produzimos, inventamos, traçamos expressões, cantorias, movimentos. Conseguimos nos compreender enquanto comunidade, porém ainda não dialogamos com o território macrorregional. A Carta do Mar é a nossa primeira tentativa de romper com a intempéries do espaço físico e buscar contato com aqueles que estão do lado de lá; de buscar contato com o que é produzido no âmbito da arte e da cultura no Norte Pioneiro do estado do PR.
A Carta do Mar assim foi pensada: ela pode ser como uma cartografia marítima, um mapa para nos auxiliar no descobrimento das manifestações expressivas que ocorrem ao nosso redor; ela pode ser o próprio mapeamento dessas ações; ela pode ser como uma carta lançada dentro de uma garrafa em alto mar; uma tentativa de dialogar com aqueles que estão distantes mas que possuem interesses em comum.
A Carta do Mar não é endereçada, ela é aberta e pode ser escrita, desenhada, cantada ou dançada à várias mãos, vozes e corpos.
Queremos expandir nosso território e, por vezes, como no caso da arte, nos desterritorializar (porque se perder também é uma maneira de se repensar a própria prática).
Todo esse trabalho não tem outro objetivo senão ser arte, ser cultura, porque somente viver, como aponta Ferreira Gullar, não nos basta.
A garrafa foi lançada !


